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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

3 - O Abuso de DLCs nos Games: Call of Duty

Uma das coisas que quando começou a surgir na indústria eu apoiava, e agora eu condeno uns... digamos, 80% de tudo que aparece, são os DLCs. Os malditos conteúdos descarregáveis para os jogos. Existe coisa mais nojenta do que esses conteúdos para os jogos? Pior que existe. Mas vamos comentar isso em outro post.

Evolução (?) do mercado de games e seus conteúdos extras.


Por que eu odeio tanto os DLCs? Pelo simples fato de ser uma muleta para a indústria explorar ainda mais o bolso do consumidor, que já paga caro em seus jogos (acho que não preciso dizer que me refiro a pessoas que compram jogos originais) e oferecendo conteúdo extra supérflulo e o pior de tudo, com valor aquém em relação ao preço cobrado. Mas nem sempre foi assim.

DLCs na verdade, existiam com outro nome: Expansões ou Expansion Pack. Jogos de PC tinham pacotes de expansão que adicionavam algumas horas a mais de jogo numa campanha, por um preço inferior ao jogo normal. No fim das contas, era uma relação custo x benefício que valia a pena, pois você comprava mais entretenimento por menos preço.

Com a chegada da distribuição digital na indústria, tanto PCs quanto consoles passaram a utilizar essa forma - mais segura - de distribuir seus títulos sem sofrer tanto com a pirataria. E assim vieram os jogos por download, e as expansões por download, que foram rebatizadas por "DownLoadable Content". Até ai tudo bem, as expansões por downloads eram mais práticas e valiam a pena, eram pedaços adicionais de história para o jogador brincar mais, a um preço inferior ao jogo original.

Mas os conceitos mudaram...

Exemplo de uma expansão de CoD
 que compensava o valor pago.
Algum imbecil teve a idéia de lucrar mais com seu título, explorando o mais puro dos sentimentos de um gamer pelo título que ama: Seu vício. Esse imbecil deve ter passado por uma loja de brinquedos, visto uma boneca Barbie na prateleira em vários modelos diferentes, e pensou consigo mesmo: "E se eu colocar uma roupinha extra no meu jogo a um preço específico? Será que vou vender?" E assim a idéia de conteúdo descarregável começa a ganhar outra forma, não oferecendo mais campanhas adicionais ao jogador, mas sim itens supérflulos como roupas, armas, veículos ou mapas para o modo multiplayer.

Vou dar alguns exemplos de abuso de DLCs que eu pessoalmente acho ridículo, embora façam sucesso. Quem discordar, pode comentar no formulário abaixo.






- Call of Duty e seus Map Packs

Independente de CoD ser um bom jogo, uma coisa nele me irrita profundamente: Como conseguem lançar pacotes com cinco mapas e vendê-los a um preço que equivale a 1/4 do valor total do jogo??

Na prática:

- Preço normal de qualquer CoD: US$ 60
- Preço de qualquer Map Pack, 5 mapas multiplayer*: US$ 15

*Promoções não inclusas




... Não seria melhor fazerem uma história adicional para o jogo e vender pelo mesmo preço do map pack (como era no passado)? Não seria mais valor agregado para o consumidor? Os primeiros CoDs com temática da Segunda Guerra, que existiam ainda na época das expansões, tinham esses conteúdos extras que literalmente dobravam sua longevidade. O mesmo número de fases em um pacote de expansão. Poderia ser até US$ 20, seria um preço justo.

Mas não, vendem cinco mapas para o modo multiplayer a um preço que muitos consideram certo. A verdade foi dita lá em cima: O valor é baseado no nível de vício dos jogadores, e quanto eles estão dispostos a pagar pelo conteúdo. Como vende muito, o sucesso é garantido, e a idéia continua. E nesse caso, a Activision conhece bem o seu público e sabe ordenhar cada centavo de suas carteiras.

Ah, e nem venham me falar que o foco atual de CoD é o multiplayer. Isso eu já sei faz tempo, e não é novidade pra nignuém. Ainda assim, isso não pode ser usado como argumento para uma campanha single player extremamente curta. Também não me digam que o "single player é um tutorial para o multiplayer", pois essa é uma das maiores falácias a respeito desse jogo. Quem joga CoD online, sabe do que estou falando. Você tem que jogar e apanhar para aprender a jogar de maneira decente, não apenas zerar a campanha.

Quem acha que o valor cobrado pelos DLCs de Call of Duty é algo justo, por favor, deixem o comentário abaixo. Pois para mim não é nem um pouco.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

2 - O Poder da Propaganda e do "Hype"

Acho que todo mundo já sabe que a "propaganda é a alma do negócio" em qualquer idéia que se tenha, e que queira obter sucesso. A mesma coisa acontece também na indústria dos games que conhecemos. Sempre que um novo jogo é lançado e é uma coisa que você gosta, vem aquela ansiedade monstruosa dentro de você, que faz com que você não pense direito - como uma pessoa apaixonada por alguém. Esse é o efeito do "hype".

Efeito do Hype

Estar apaixonado por alguém também pode ser considerado um hype, pois você inicialmente idealiza uma pessoa perfeita, e fecha seus olhos para outras pessoas que estão ao seu redor. Depois de conhecer melhor essa pessoa, você percebe seus defeitos, e muitas vezes o encanto acaba.

Qualquer semelhança com lançamentos de jogos não é mera coincidência.

Quantas vezes você já comprou um jogo achando que ia ser super legal, e no fim das contas se decepcionou amargamente por tê-lo comprado? Você se sente um bobo por ter acreditado que determinado jogo seria tão bom, e viu que mais uma vez, foi influenciado pela propaganda. Quando nós tentamos conquistar uma pessoa, não fazemos a mesma coisa? Pensem... Nos arrumamos e tentamos mostrar sempre nosso melhor lado - fazemos nosso marketing pessoal, o que não é errado. Precisamos despertar o interesse na pessoa / produto / jogo de alguma forma.

Vou dar três exemplos de jogos que na minha opinião tiveram um marketing maciço no momento certo, e se tornaram campeões de venda na indústria, principalmente por terem feito uma ótima campanha publicitária.

Atenção: Eu não vejo os jogos que serão citados a seguir como "ruins". Todos são bons para seu público e merecedores de seu sucesso. Não encham meu saco com fanboyismo nos comentários, ou seja, apenas me xingar e falar que seu jogo favorito é o melhor do mundo e pronto. Tenham mentes mais abertas, por favor.

1 - Call of Duty: Modern Warfare


CoD 4: Modern Warfare  - Eu acho



A série Modern Warfare foi o maior propulsor da franquia Call of Duty, da Activision. Lançado em novembro de 2007, Call of Duty 4: Modern Warfare foi o primeiro de uma trilogia que faria com que o já respeitado jogo de guerra ganhasse novas dimensões no mercado, sendo o título mais vendido em todo o mundo logo em seguida. Sua propaganda foi fundamental na hora certa, pois pela primeira vez, a franquia CoD estaria abortando um conflito em tempos modernos, o que chama a atenção.

A possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial foi uma nova brisa em meio a tantos jogos tematizados na Segunda Guerra, e isso colaborou para o sucesso de CoD.  Existem outros fatores que fizeram desse jogo o mais jogado em todo o mundo, além da propaganda? Até que sim. Ele tem uma boa jogabilidade, um ritmo de combate acelerado (especialmente no multiplayer) e uma curva de aprendizado um pouco mais simples.

Outra aposta de Modern Warfare foi o fator arcade, com pontuações e um sistema de evolução que empolga o jogador, sempre desbloqueando conteúdo novo (armas e acessórios) a cada nível atingido. Mesmo assim, vendem DLCs a preços absurdos, mas isso não vem a caso agora. Talvez em outro post. O marketing maciço foi um dos principais fatores de sucesso de Modern Warfare, um jogo que mesmo sendo exatamente igual ao seu antecessor (MW3 de MW2), ainda superou suas vendas.

2 - Angry Birds


Melhor atirar pássaros loucos em porcos do que pedras em castelos com reis



Essa foi uma discussão que começou no blog Meio Bit Games e que gerou uma certa polêmica acerca da originalidade de Angry Birds e seu sucesso devastador no mercado. Recomendo que leiam a notícia e principalmente o campo de comentários. Em suma, não considero Angry Birds um jogo original. Seu sucesso não foi devido a isso, mas devido a um marketing agressivo, produtos tematizados e várias coisas com a marca do jogo estampada.

No início, porém, isso não existia e o sucesso dele veio da reação natural do consumidor pela App Store, que irei comentar logo a seguir. Ah, e Angry Birds também explora uma temática de "bichinhos fofos", que agrada muito mais do que uma temática medieval, como no jogo Crush The Castle, bem semelhante a ele (e lançado bem antes).


3 - World of Warcraft


As boas e velhas aventuras com os amigos num mundo gigantesco


Pra esse jogo, nesse post, vou pegar leve pra não falar besteira, pois muita gente tem mil e um motivos pra discordar de mim. Estou jogando WoW atualmente e quero jogá-lo por mais tempo para ter uma opinião mais concreta de tudo que faz com que esse título seja um sucesso. Mas pelas poucas horas que tenho jogado (comecei há poucos dias), não vi muitas diferenças nas quests principais. É a mesma coisa de "mate X inimigos e traga o item Y para mim". Entrega a quest, ganha um equipamento melhorzinho e o  jogo continua.

Isso porque a Blizzard ainda teve a boa idéia de refazer o início das aventuras, facilitando a vida para jogadores iniciantes. Ok, Azeroth é um mundo gigantesco, e muita coisa pode ser feita. Mas sua essência está me parecendo a mesma de qualquer MMORPG coreano que eu já tenha jogado. Entenda que, quando digo "essência", quero dizer coisas como: "Grind", "Quests", "Sensação de compromisso com grupos / guildas" (irei falar disso num outro post futuro), e uma sensação de evolução que simplesmente não tem fim, criando um círculo de jogatina interminável.

O que fez WoW ser tão popular na minha opinião? Depois de ouvir muita gente que joga há muito mais tempo que eu e que trabalha na área, cheguei à conclusão de que foi um marketing agressivo. Podemos ver isso cada vez que uma nova expansão do jogo é lançada. A Blizzard teve algumas cartas a seu favor, como conhecer bem o público norte-americano, e investir muito dinheiro em propagandas muito bem produzidas, dublagens que aumentam a imersão do jogador, animações de tirar o fôlego... Todo esse tempero especial. De resto, é o mesmo conceito de MMORPG que podemos ver em vários jogos, não tão bem sucedidos.

Agora, a Blizzard quer expandir seus horizontes em mercados promissores, como a China. Assim, nascem os Pandarens. Mas, isso foi do agrado dos fãs ocidentais? Há controvérsias, mas esse papo fica pra outro dia.


A Fórmula Secreta


Por fim, um jogo de sucesso precisa sim ter um marketing agressivo e milhões de dólares investidos apenas nessa área. Não importa se é um jogo com belos gráficos, se tem um estilo medieval, moderno ou fofinho. O que importa é divulgar seu produto logo no início, quando ele entra no mercado. O resto, é feito pelos próprios consumidores, que recomendam o jogo para seus amigos, e os amigos dos amigos, e assim cria um mar de jogadores, que se tornam fãs e em seguida uma legião de fãs. Pensem nos três jogos citados: Gêneros diferentes, e uma coisa em comum. A fórmula secreta do sucesso, também chamada de divulgação, despertando o desejo (hype) nos consumidores.

.... Ou quando sai uma nova atualização de seu jogo favorito, você nunca sente um friozinho na barriga de ansiedade?